Onde a Literatura Dançou com a Tradição
Há encontros que acontecem apenas no calendário. Outros, porém, permanecem guardados para sempre na memória e no coração de quem os vive. Assim foi a tradicional Festa Junina da Academia Valparaisense de Letras (AVL): uma noite em que as palavras deixaram as páginas dos livros para ganhar o calor dos abraços, o perfume das comidas típicas e o encanto das antigas tradições brasileiras.
Em um cenário onde a simplicidade revelou sua mais bela grandeza, confrades e confreiras reuniram-se na acolhedora residência da acadêmica Jussara. Ali, entre bandeirinhas coloridas, risos espontâneos e o aroma das delícias juninas, a literatura encontrou um novo jeito de ser celebrada: não apenas nos versos declamados ou nas histórias escritas, mas na convivência fraterna, nas lembranças compartilhadas e nos “causos” que atravessam gerações como patrimônio vivo da nossa cultura.
Foi uma daquelas noites raras em que o tempo parece desacelerar para permitir que cada conversa floresça, cada sorriso encontre seu lugar e cada amizade se fortaleça. Porque uma Academia de Letras é feita de livros, sim, mas, acima de tudo, de pessoas que compreendem que toda grande obra nasce da sensibilidade humana e da capacidade de cultivar afetos.
Em nome de todos os acadêmicos, a presidente da AVL, Dry Neres, expressou sua profunda gratidão à anfitriã da noite. Com generosidade e carinho, Jussara abriu não apenas as portas de sua casa, mas também as do seu coração, transformando o encontro em um verdadeiro abraço coletivo. Sua hospitalidade deu à celebração um significado ainda mais especial, lembrando que existem lares que acolhem corpos e outros que acolhem almas — e, naquela noite, sua casa fez ambos.
Ao final da festa, quando as últimas conversas se despediam lentamente e as bandeirinhas ainda dançavam ao sabor do vento, permanecia uma certeza silenciosa entre todos: a literatura floresce onde existe amizade; a cultura permanece viva quando encontra espaço para ser compartilhada; e as tradições jamais envelhecem quando são alimentadas pelo afeto.
Porque, antes de sermos escritores, poetas ou leitores, somos contadores de histórias. E algumas delas não precisam de tinta nem de papel para se tornarem eternas. Basta que sejam escritas no coração.
*por Rosângela Méri

