48 anos de Valparaíso: uma vida de histórias, raízes e amor por uma cidade que também ajudei a construir
Cidadã valparaisense , protagonista de importantes capítulos da história do município, acompanhei de perto o nascimento, a emancipação e minha própria história
Há lugares que escolhemos para morar e há lugares que escolhemos para pertencer. Valparaíso de Goiás é, para mim, muito mais do que um endereço: é o chão onde finquei minhas raízes, construí minha trajetória e testemunhei o nascimento de sonhos que, pouco a pouco, se transformaram em realidade.
Hoje completo 48 anos de história com Valparaíso. Uma vida inteira de lembranças, conquistas, desafios, amizades e emoções. Cheguei quando ainda era pequeno o Núcleo Habitacional Valparaizo, pertencente à cidade-mãe, Luziânia. Desde aqueles primeiros tempos, tive o privilégio de acompanhar de perto o crescimento de um lugar que, anos depois, conquistaria sua emancipação política e se tornaria o município que conhecemos hoje.
Minha história se entrelaça com a história dessa cidade. Tive a honra de participar da Administração Regional, a convite do primeiro administrador, Clóvis José Almeida, e também de colaborar com as gestões de outros administradores que vieram posteriormente.
Na área da educação, ajudei a construir caminhos para as novas gerações. Fundei o Jardim de Infância Santa Luzia e tive a responsabilidade e a alegria de ser a primeira diretora da Escola Municipal Céu Azul e da Escola Municipal Valparaíso 1B, hoje Escola Municipal Professora Divina Lourenço de Melo Leão. Também trabalhei na Secretaria de Promoção Social, experiências que ampliaram ainda mais meu compromisso com as pessoas e com o desenvolvimento da comunidade.
A comunicação também faz parte dessa caminhada. Trabalhei na então Rádio Jornal de Luziânia e participei da fundação da ASCOV — Associação Comunitária de Valparaíso, contribuindo para o fortalecimento das iniciativas comunitárias em uma época em que a união dos moradores era essencial para transformar reivindicações em conquistas.
Desde 1982, participei ativamente do movimento pró-emancipação de Valparaíso. Vi de perto a mobilização de homens e mulheres que acreditaram na possibilidade de construir um município com identidade própria, autonomia e melhores perspectivas para sua população.
Em 1990, outro capítulo importante começou: a fundação do Jornal O Despertar, com o propósito de registrar e divulgar os fatos e acontecimentos da nossa região. Desde então, a missão de transformar fatos em notícias, contar histórias e dar visibilidade à comunidade tornou-se parte inseparável da minha vida. Afinal, uma cidade também se constrói pela memória que preserva e pelas histórias que escolhe contar.
Mas, entre tantas realizações profissionais, comunitárias e pessoais, existe um presente que ocupa o lugar mais especial do meu coração: minha filha, meu amor incondicional, que também é valparaisense. Ela representa a continuidade dessa história de afeto e pertencimento, um laço que vai muito além das palavras.
Ao olhar para trás, vejo uma trajetória marcada por muito trabalho, dedicação e amor. Ao olhar para o presente, reconheço o quanto Valparaíso cresceu, se transformou e conquistou seu espaço. E, ao pensar no futuro, renovo a esperança de ver essa cidade avançar ainda mais, valorizando sua gente, sua memória e suas potencialidades.
Quantas recordações…. Os primeiros amigos, os primeiros comércios, pessoas folclóricas, a construção da Igreja São Francisco de Assis, o surgimento do Valparaízo II, o início das etapas B, C, D e E….. Nossa! Quanta história ao longo destes 48 anos…..Uma vida intensa!!! Uma vida de transformações e desafios!!!!
São 48 anos de convivência, de participação e de testemunho de uma história que continua sendo escrita todos os dias. Uma caminhada que me permite dizer, com a emoção de quem viveu cada etapa dessa transformação, que não fui apenas espectadora do crescimento de Valparaíso: também tive a oportunidade de contribuir para a construção de alguns de seus capítulos.
Valparaíso não foi apenas a cidade que escolhi para viver. Foi a cidade que escolhi para pertencer.
E se a vida me perguntasse hoje onde estão minhas raízes, minha resposta seria a mesma de tantos anos atrás: estão aqui, neste pedaço de chão que me acolheu, me deu histórias para contar e me permitiu deixar um pouco de mim em sua trajetória.
Tenho orgulho de ser cidadã valparaisense por escolha, por história e por amor. Porque há cidades que habitamos por algum tempo, mas existem aquelas que passam a habitar para sempre dentro de nós. Valparaíso é, e sempre será, uma delas.
*Rosângela Méri




