Fim de uma era: orelhões começam a ser retirados das ruas de todo o Brasil
Criado em 1972, os aparelhos representaram um salto de qualidade na comunicação e na possibilidade de interligação do país ao permitir acesso facilitado a ligações locais ou interurbanas
Você lembra de cabeça onde tem um orelhão? Se a resposta for positiva, é hora de ir lá tirar uma foto, quem sabe uma selfie ao lado do aparelho. Isto porque, em breve, os TUPs – Telefone de Uso Público – como são tecnicamente chamados, vão desaparecer do cenário urbano do Brasil.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu que 2026 será o ano em que os aparelhos serão completamente retirados das grandes cidades brasileiras. O ato representa oficialmente o fim de uma era nas comunicações do país.
Os orelhões, figuras centrais do cotidiano brasileiro entre os anos 1970 e o início dos anos 2000, estão sendo removidos de forma massiva das grandes cidades. A mudança ocorre devido ao fim das concessões de telefonia fixa, no qual as cinco operadoras responsáveis pelos terminais não possuem mais a obrigação legal de manter os aparelhos e as estruturas de telefones públicos em funcionamento.
Como contrapartida à desativação, as empresas do setor deverão redirecionar recursos para a expansão de infraestrutura de redes de banda larga e tecnologia móvel. Embora a maioria dos aparelhos vá desaparecer em breve, a legislação permite que alguns permaneçam ativos até 2028, mas apenas em localidades onde não houver nenhuma outra alternativa de serviço de telefonia disponível.
Atualmente, estima-se haver pouco mais de 2 mil orelhões nas ruas de todo o Brasil. No site da Anatel é possível saber onde estão esses aparelhos, com uma lista completa de todos os endereços.
Nova era da telefonia
A transição reflete a mudança drástica nos hábitos de consumo, migrando da simplicidade das fichas e cartões para a complexidade e os custos da telefonia celular. No entanto, o desaparecimento desses ícones urbanos ainda impacta a memória coletiva de gerações que dependiam dos terminais de esquina para evitar as filas das antigas centrais telefônicas ou para prestar serviços comunitários de recados nas vizinhanças.
De acordo com a Anatel, a logística do serviço tornou-se inviável, uma vez que não há mais produção de cartões telefônicos e os postos de venda tornaram-se raríssimos. Para garantir o acesso em casos de necessidade, a agência determina que, na ausência de cartões, os orelhões ainda ativos devem permitir a realização de ligações locais e nacionais para telefones fixos de forma totalmente gratuita.

