Candidatos ao governo de Goiás apresentam estratégias contra o feminicídio; confira propostas
No último ano, o feminicídio seguiu na contramão da redução dos demais crimes registrados em Goiás. Conforme dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve aumento de 5,3% no número de mulheres mortas em razão do gênero. Foram 59 vítimas em 2025, ante 56 em 2024. Somente entre janeiro e junho de 2026, foram registrados 47 casos, contra 22 no mesmo período de 2025, o que representa um aumento de 113%, segundo dados do Ministério da Justiça.
O aumento no número de feminicídios em Goiás não é um caso isolado. Em todo o País, foi registrado um crescimento considerável no número de assassinatos de mulheres em razão do gênero, assim como nos casos de violência doméstica.
De acordo com especialistas ouvidos pelo jornal A Redação, esse tipo de crime desafia as forças de segurança pública, uma vez que, em sua maioria, ocorre dentro dos próprios lares das vítimas. Além disso, o andamento das investigações na esfera judicial depende de denúncias e da representação das mulheres que sofrem violência. Outro fator que dificulta o enfrentamento ao feminicídio é a disseminação de discursos de ódio contra as mulheres na internet, conforme explica a promotora de Justiça Carla Brant.
Diante desse cenário, o que dizem os candidatos ao governo de Goiás sobre o tema? Confira, abaixo, as propostas presentes nos planos de governo dos 5 candidatos entrevistados em sabatina pelo jornal A Redação. O candidato Danilo Pinheiro, do PCO, não foi ouvido devido a tentativas de contato sem sucesso, mas o espaço permanece aberto.
Daniel Vilela (MDB)
O plano de governo de Daniel Vilela, candidato à reeleição, apresenta o programa “Goiás Pelas Mulheres”, sob o lema “Juntas somos mais fortes, governo presente, mulheres protegidas”. A proposta parte do diagnóstico de que a violência doméstica e de gênero ameaça a vida e os direitos das mulheres e de que é necessário integrar as áreas de segurança, saúde, assistência e acolhimento para fortalecer a prevenção, a proteção e o atendimento humanizado. O plano também prevê a promoção da autonomia financeira como forma de romper o ciclo da violência.
Nesse sentido, entre as ações previstas estão a implantação do SIM-Mulher, para integrar a proteção e o atendimento; a ampliação dos canais de denúncia e dos mecanismos de proteção; e a expansão do acolhimento especializado e regionalizado às vítimas. O plano também prevê a integração de informações para o acompanhamento dos casos e uma resposta mais rápida, além do programa “Goiás por Elas”, voltado à geração de renda, qualificação, emprego e crédito para garantir a autonomia financeira das mulheres. Também está previsto o incentivo à liderança feminina nas áreas de ciência, inovação e esporte.
Segundo o plano, essas medidas devem resultar em uma prevenção mais efetiva da violência e do feminicídio, na autonomia econômica das mulheres para romper o ciclo da violência e em uma rede integrada, humanizada e tecnológica de proteção às mulheres.
“É um crime que desafia as forças de segurança de todo o País, porque a violência contra a mulher, na maioria das vezes, ocorre dentro de suas casas, de portas fechadas. Nesse sentido, é importante ressaltar que a denúncia segue sendo o melhor caminho para o enfrentamento dessa tipificação, levando em consideração, ainda, que o feminicídio também decorre, em sua maioria, de uma escalada de violências”, diz.
“Por isso, quero adotar políticas rigorosas no combate aos criminosos em relação ao feminicídio e a qualquer tipo de agressão contra as mulheres. Temos o objetivo de construir uma forte rede de proteção às mulheres em nosso Estado. Nosso objetivo é unir inovação tecnológica, rigor operacional e suporte de acolhimento para zerar os casos de violência contra a mulher em Goiás e, dessa forma, enfrentar fortemente esse desafio”, detalha o candidato à reeleição.
Luciana Amorim (UP)
Entre as propostas voltadas às mulheres da candidata Luciana Amorim está o combate a todas as formas de violência de gênero, por meio de ações socioeducativas destinadas a esclarecer a população sobre os direitos das mulheres. A proposta prevê capacitação continuada sobre questões de gênero para a prevenção da violência doméstica, voltada ao público escolar de todas as faixas etárias, aos profissionais do serviço público e à comunidade em geral. O plano também prevê garantir a aplicação da Lei Maria da Penha (11.340/2006), que, em seu artigo 8º, estabelece a promoção de estudos, pesquisas e levantamentos de dados estatísticos sobre a violência doméstica e de gênero, possibilitando um diagnóstico das violências no município.
Também consta no plano a criação do Programa Estadual de Agentes Multiplicadores para a Defesa dos Direitos da Mulher, em parceria com movimentos de mulheres, movimentos populares e entidades classistas. Outra proposta é ampliar e garantir o acesso à Justiça e à assistência jurídica gratuita para mulheres em situação de violência e vulnerabilidade, por meio da ampliação da assistência jurídica em parceria com universidades e escritórios-modelo de advocacia.
O plano prevê, ainda, a implementação de Centros de Referência, Defesa e Convivência Integrados para Mulheres, voltados ao atendimento multi e transdisciplinar de mulheres cis, trans e travestis, principalmente aquelas em situação de violência doméstica ou de gênero, sem restrições territoriais. Os centros contarão com equipe técnica especializada em atendimento psicológico, assistência social e orientação jurídica, além de espaços coletivos e de convivência, com reflexões temáticas, espaços terapêuticos, educação em direitos e oficinas socioeducativas e de geração de renda.
Por fim, o plano prevê a implementação de delegacias especiais para as mulheres, com atendimento 24 horas e nos fins de semana, além da qualificação dos profissionais da área de segurança pública para o atendimento humanizado às vítimas.
“Mesmo com o aumento de investimento em armamento e equipamentos, a gente vê todos os dias mulheres morrendo. Precisamos de mais medidas que fortaleçam a proteção à mulher”, ressalta a candidata.
Luis César Bueno (PT)
No que diz respeito à proteção das mulheres, o plano de Luís César Bueno tem como objetivo acelerar a execução do Plano Estadual de Combate à Violência contra a Mulher 2026-2035 e ampliar a capacidade de antecipar situações de alto risco. Para isso, prevê a integração entre registro, avaliação de risco, medida protetiva, acompanhamento preventivo, investigação, saúde e assistência social, além do fortalecimento das DEAMs e das estruturas regionalizadas, com protocolos específicos para municípios que não contam com unidades especializadas.
O plano também prevê o aprimoramento do monitoramento de casos de alto risco, reincidência, descumprimento de medidas protetivas e acesso da vítima à informação, além da capacitação de agentes públicos para o atendimento humanizado, a preservação de provas e a proteção de crianças e dependentes. Com entrega prevista para quatro anos, a proposta busca uma rede estadual mais rápida e integrada, capaz de proteger mulheres nos 246 municípios goianos.
“Devemos investir em ferramentas de Inteligência Artificial e no fortalecimento da Polícia Militar como parte da resposta a esses crimes que tanto desafiam as forças de segurança pública”, afirma o candidato do PT.
Marconi Perillo (PSDB)
O plano do ex-governador Marconi Perillo prevê o fortalecimento da prevenção e da resposta especializada à violência contra as mulheres, articulando a segurança pública com as redes de saúde, assistência social e proteção de direitos. Especificamente em relação à violência contra a mulher, o texto promete fortalecer e ampliar o atendimento especializado e a cobertura das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, de acordo com as necessidades de cada região, garantindo maior acesso à proteção, à investigação e ao acompanhamento das ocorrências.
Também está previsto o acompanhamento contínuo dos casos de maior risco, com mecanismos para identificar reincidências e descumprimentos de medidas protetivas, permitindo uma resposta mais rápida do Estado. “As políticas de proteção às mulheres terão um tratamento específico dentro do enfrentamento à violência contra a mulher”, afirma.
Wilder Morais (PL)
Na proteção às mulheres, o plano do senador Wilder Morais prevê integrar medida protetiva, patrulha, acolhimento, aluguel social, atendimento jurídico e autonomia econômica em um único acompanhamento. Dessa forma, a mulher não precisará narrar a violência repetidamente em cada órgão, sendo que o primeiro contato já definirá o risco e o responsável pelo caso.
No combate aos crimes contra a mulher, o Estado prevê intensificar o enfrentamento ao estupro, ao feminicídio e à violência doméstica, utilizando inteligência e tecnologia para identificar o agressor com mais rapidez e proteger a vítima antes que a violência se repita. Delegacias especializadas, equipes de investigação e a Patrulha Maria da Penha atuarão com informações integradas, em articulação com a proposta de proteção completa para a mulher.
“Precisamos dar apoio às mulheres. Acompanhá-las desde o primeiro momento em que elas forem à delegacia, para que já possam sair protegidas de lá. O agressor precisa saber que o Estado está presente. Além disso, é necessário um programa de acolhimento social para acolher as que mais precisam”, defende.
*Fonte: A Redação

